Universidade Federal do ABC mostra os resultados do programa MAI/DAI
Instituição foi a primeira a implantar o projeto piloto do CNPq em 2013
O Coordenador-Geral de Promoção à Inovação e ao Transbordamento do Conhecimento do CNPq, Márcio Ramos, participou do evento que reuniu acadêmicos e profissionais da indústria na UFABC - Foto: Márcio Ramos
Primeira instituição a fazer parte do Programa de Mestrado e Doutorado para Inovação (MAI/DAI) , a Universidade Federal do ABC (UFABC) apresentou os resultados dessa parceria de mais de 10 anos entre academia e setor privado. O encontro, realizado no campus Santo André da UFABC, contou com a presença de representantes do meio científico e do mercado.
O objetivo do MAI/DAI é fortalecer a pesquisa e inovação nas universidades por meio do envolvimento de alunos de graduação, mestrado e doutorado em projetos de cooperação com o setor empresarial. O programa possibilita ao aluno desenvolver projetos de pesquisa mais voltados à necessidade da indústria; às empresas, permite experimentar os benefícios e o potencial de ter mestres e doutores envolvidos em seus projetos.
A UFABC iniciou a participação no programa em 2013. Segundo o coordenador do MAI/DAI na instituição, professor Demétrio Jackson dos Santos, ao longo dos anos de interações entre a universidade e empresas, a UFABC já credenciou 47 corporações no programa DAI e 17 empresas no programa MAI para desenvolver projetos em diferentes áreas do conhecimento. Entre essas empresas se encontram a Itaipu Binacional, da área de geração de energia limpa e renovável; a Suzano, fabricante de celulose e produtora de papel e a Artecola Química, da área de adesivos e laminados especiais.
Alguns dos ex-bolsistas egressos do programa DAI da UFABC conseguiram empregos nas empresas parceiras do programa, como Júlia Rocha Gouveia, que trabalha na suíça Cemex, de materiais de construção; e Karen Prado, que atua na brasileira Insider, que alia tecnologia, design e sustentabilidade na indústria da moda. Ambas trabalham na área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) dessas instituições.
O coordenador-geral de Promoção à Inovação e ao Transbordamento do Conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Márcio Ramos de Oliveira marcou presença no balanço do MAI/DAI. Segundo Ramos, a iniciativa tem desempenhado papel fundamental no estímulo à inovação no Brasil. “Esse programa implementado pelo CNPq visa incentivar a cooperação entre a academia e o setor empresarial ao envolver estudantes de mestrado e doutorado em projetos conjuntos com empresas. Dessa forma, o programa tem sido um importante mecanismo na transferência de conhecimento para o setor empresarial, resultando em soluções inovadoras que atendem às demandas do mercado”, afirma.
A história da primeira parceria: o DAI
O CNPq iniciou o projeto piloto do então intitulado Doutorado Acadêmico Industrial (DAI) na UFABC em 2013. A ideia para o novo doutorado fora elaborada dois anos antes, a partir de entendimentos entre o então presidente do CNPq, professor Glaucius Oliva, e o professor Klaus Capelle, na época pró-reitor de Pesquisa e que seria nomeado posteriormente reitor da UFABC. No primeiro processo seletivo, em 2014, o CNPq disponibilizou 20 bolsas de doutorado para a universidade. Três anos depois, em 2017, para a continuidade do programa, o CNPq concedeu o mesmo quantitativo de bolsas, elevando para 40 o total de bolsas autorizadas para o DAI da UFABC. Dessa totalidade, foram implementadas 39 bolsas, no valor global de mais de R$5,17 milhões. “A proposta de oferecer um programa de doutoramento vinculado à indústria teve como motivo o interesse em oferecer aos alunos de doutorado a oportunidade de desenvolver projetos de pesquisa aplicados à realidade e às necessidades do setor industrial brasileiro, bem como oferecer às indústrias os benefícios da pesquisa e do desenvolvimento em alto nível”, lembra Demétrio Santos.
Resultados alcançados no projeto piloto estimularam a implementação do MAI e a expansão do programa
Devido ao bom desempenho do DAI, que se inseriu nas estratégias de desenvolvimento da região, levando resultados a empresas de diversos setores, a UFABC implementou, também como projeto piloto, o Programa Mestrado Acadêmico para a Inovação (MAI), lançado em 2019. Na ocasião, o CNPq concedeu à UFABC 10 bolsas de mestrado e 20 bolsas de Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI), no valor total de R$456 mil à época. Todas as bolsas de mestrado foram utilizadas. No caso das bolsas ITI, apenas 10 foram implementadas
Após a implementação do projeto piloto na UFABC, o CNPq lançou em 2018 mais uma chamada pública para o Programa DAI, aprovando um total de 38 propostas institucionais, com a concessão de 266 bolsas. Por causa do bom retorno do programa, o projeto foi ampliado também para bolsas de mestrado no país e bolsas de iniciação tecnológica em 2020, com o lançamento de chamada pública para Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI). O edital contemplou 59 instituições de diferentes regiões do país, com a concessão de 2.102 bolsas nas modalidades de Doutorado, Mestrado e Iniciação Tecnológica e Industrial (ITI) e investimento total do CNPq da ordem de mais de R$50 milhões.
Na última chamada pública do programa, realizada em 2024 em parceria com a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o CNPq ofertou pela primeira vez bolsas de Pós-Doutorado Empresarial. No total, foram contempladas 69 Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) e concedidas 1.300 bolsas. O investimento da Chamada chega a R$74 milhões.
Nessa última chamada, a UFABC foi contemplada com 6 bolsas de doutorado, 6 bolsas de mestrado, 12 bolsas ITI e 4 bolsas de pós-doutorado, no valor global de R$ 2,2 milhões.
Texto publicado no site Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 01/04/2025.
Adaptação: Assessoria de Comunicação e Imprensa - ACI UFABC
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